Hoje, o Egito tenta recuperar objetos que foram levados do país durante o início do séc. XX, como por exemplo a Pedra de Roseta (relíquia encontrada durante a era napoelônica que foi de fundamental importância para a compreensão dos hieróglifos egípcios.) Fato esse que explica o apelo feito pelo país a Alemanha para que a mesma pudesse ''devolver'' a escultura. A estátua hoje, atrai cerca de um milhão de turistas por ano e o presidente da Fundação do Patrimônio Histórico Prussiano, Hermann Parzinger, afirma que o museu adquiriu Nefertiti legalmente e que o Egito não possui direito legal sobre a relíquia. "O posicionamento da fundação não mudou. Nefertiti é e continuará sendo a embaixadora do Egito em Berlim", afirmou Parzinger em um comunicado.
Representantes da fundação disseram também que não consideram o pedido oficial por não ter sido assinado pelo primeiro-ministro egípcio, Ahmed Nazif. Contudo, o chefe do Conselho Supremo de Antiguidades Egípcias, Zahi Hawass, afirma que o pedido feito pelo órgão foi aprovado pelo primeiro-ministro e pelo ministro da Cultura do Egito.
O busto de Nefertiti — famoso pelas formas delicadas e os olhos amendoados — foi encontrado em 1912 pelo arqueólogo alemão Ludwig Borchardt, a 275 quilômetros ao sul do Cairo, capital do Egito. A relíquia foi levada para a Alemanha no ano seguinte. De acordo com Hawass, o arqueólogo alemão agiu como se o busto fosse um artefato de menor valor com a intenção de garantir que o objeto chegasse a Berlim.
De acordo com o Professor de direito da PUC Minas, muitos países europeus utilizam o argumento de que muita das vezes os países de origem dos artefatos não possuem meios de garantir a segurança do objeto, privando o publico de ter acesso ao mesmo. Tais países alegam que as relíquias, em suas posses, estariam protegidas e acessíveis para a apreciação de quem quer que seja.
Não é nada fácil para qualquer um que observa do lado de fora dessa notícia, tomar um posição em relação a mesma. De um lado temos um país que busca pedaços da sua história que foi perdida anos atrás, através de guerras, roubos, descoberta não registradas e etc. Tecnicamente o mesmo realmente deveria ter direito sobre aquilo que foi descoberto em seu próprio solo, mas sem desmerecer o indivíduo responsável por tal. Porém, do outro lado da história, é realmente importante que o detentor de tal artefato possua meios de garantir que a mesmo esteja segura. Se o país o qual a relíquia pertence historicamente, não possui tais meios, deveria ele ser mesmo o dono legal de tal artefato? Independentemente de onde a relíquia se encontra, ela irá sempre contar um pouco da história do seu país de origem.
Muitos apontam como se tudo não passasse de um jogo de interesses da Alemanha, que deseja apenas o lucro obtido através dos milhões de turistas que visitam a relíquia todo ano. Não tiro a razão de ninguém. Até acredito nisso em certas partes, mas é importante notar que, independente do princípio capitalista apresentado, o Egito, hoje, não tem condições de proteger um artefato de tamanho valor histórico e monetário. O mesmo se encontra em um estado emocional abalado devido a recente crise política, e as prioridades estão dispersas em meio ao caos recente.
O pedido de devolução é válido, porém, em um momento futuro. Por agora, acredito que o busto de Nefertiti se encontrar em boas mãos.
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